Belchior – Um ano sem o Grande Rapaz Latino Americano

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Hoje, dia 30 de abril, completa um ano da morte do grande cantor e compositor Belchior. Esse é apenas mais um dos inesquecíveis cantores brasileiros que ficarão para sempre na galeria dos grandes intérpretes da salutar música brasileira. Belchior era acima de tudo um intérprete do próprio coração. Para que você possa entender com clareza esta afirmação, quero deixar aqui uma crônica bem elaborada sobre o vínculo das suas  canções com a sua vida pessoal. Belchior interpretava até mesmo a situação social e política do povo brasileiro.

 

 

A crônica elaborada como uma homenagem ao grande compositor, é de autoria do brasileiro, filho do Município de Ipueiras no Estado do Ceará, Francisco Chagas Rodrigues que atualmente reside em San Francisco na Califórnia. Francisco (Chico, como é carinhosamente conhecido), teve o prazer de conhecer, ainda no comecinho da carreira, o grande e inesquecível Belchior.

Leia agora a crônica que homenageia ao grande Belchior:

O OCASO DA DIVINA COMÉDIA HUMANA

“Era uma vez…um jovem nordestino que em tempos atrás foi dono de sua época. Ele falava ser APENAS UM RAPAZ LATINO AMERICANO, porém era muito mais que isso, sem dúvida, era A VOZ DA AMÉRICA. Não era arrogante, era simples, porém, sofisticado e muitíssimo culto, era uma JOIA DE JADE, ele sabia disso, mas preferia não demonstrar. Era inconformado com muitas coisas e achava que não vivia NUM PAÍS FELIZ. Ele remodelou o cancioneiro popular brasileiro e deu aquele toque de ARTE FINAL que estava faltando. ALIÁS, também lustrou a presença e conceito dos nordestinos em outros estados com sua intelectualidade EXTRA COOL.
Ninguém foi tão perspicaz e inteligente como ele na LIRA DOS VINTE ANOS, ao mesclar, às vezes, arranjos simples com letras difíceis e sofisticadas e vice-versa.
Tinha pressa de viver, era um culto nato, e o quotidiano para ele era uma ALUCINAÇÃO, e vivia intensamente. Tinha a vida em PARALELAS como todos nós temos, um lado a carreira e do outro a vontade de ser feliz.
No início, TER OU NÃO TER fazia pouca diferença,
por isso saía por aí com a VELHA ROUPA COLORIDA em busca do BEL-PRAZER. Era sorridente e um exímio fã de mulheres. Às vezes estagnava como um SEIXO ROLADO, mas de repente aparecia com uma nova música que era de PRIMEIRA GRANDEZA. Não parecia ter um CORAÇÃO SELVAGEM como dizia a música, pois tinha um PEQUENO PERFIL DE UM CIDADÃO COMUM, e em música, dizia: E QUE TUDO MAIS VÁ PARA O CÉU.
Ele nunca foi COMO NOSSOS PAIS; vivia inconformado com o sistema social e o modus operandi da política no país.
Naquela época de ditadura, tudo era muito sério, muitos falavam: a coisa está COMO O DIABO GOSTA.
A música COMO NOSSOS PAIS, surtiu efeito depois, mas no início pareceu um CLAMOR NO DESERTO, ninguém deu bola.
Refiro-me à cúpula da ditadura militar que não percebeu que a letra soava incomodamente mal para eles na época, tal qual uma ELEGIA OBSCENA para os ouvidos de membros da ordem religiosa num mosteiro. Tinha tudo para ser mais uma música censurada ANTES DO FIM, porém, o deslumbre de intelecto posto na mesma, vedou, camuflou, e eles não conseguiram decifrar.
O Belchior simplesmente e inteligentemente deixou alguns parceiros de profissão para trás, como: Gil, Chico, Caetano, Vandré e muitos outros que tiveram que buscar exílio. E você Belchior, seguro de si, em sua nau grande e segura, apenas acenou para o regime e aos exilados e disse: ATÉ AMANHÃ. O rapaz que tinha MEDO DE AVIÃO costumava dizer: NADA COMO VIVER e expressar meu pensamento à minha maneira, tal como o MONÓLOGO DAS GRANDEZAS DO BRASIL e ter NOTÍCIA DA TERRA CIVILIZADA. E que terra civilizada era essa? Era o sonho de ver um Brasil livre de opressão, em toda sua grandeza e com pessoas vivendo uma vida digna e civilizada com direitos e deveres. Era um amante das coisas do Brasil, dono de um CARISMA imenso, sábio, polido, “cearensemente” brasileiro e adorava “POPULUS”, seu cão. Suas músicas falavam sobre diversos temas, por exemplo: O dia a dia – CASO COMUM DE TRÂNSITO; o amor – BRASILEIRAMENTE LINDA;
o ídolo John Lennon – COMENTÁRIO A RESPEITO DE JOHN; a pressa – ANTES DO FIM;
O deboche leve, e mais um chute na cara do sistema com um grau de tenacidade oculta incrível, veio em COMO SE FOSSE PECADO. E nesta última música, a crítica burra juntamente com alguns desinformados, apedrejaram o artista, e a causa, foi uma frase na quinta estrofe que eles entenderam como MÚSICA DE PERDIÇÃO.
A frase, parte em português e parte espanhol, diz o seguinte:
“Virgem Maria / dama do meu cabaré / quero gozar…toda noite/ sobre tus pechos dormidos”. APARÊNCIAS enganam. Alguns acharam um desrespeito enorme falar isso com a santa…mas ele não mencionava a mãe de Jesus.
Se referia a outra Maria, aquela carnalmente vivente entre nós, jovem e fresca como um BROTINHO DE BAMBU a qual ele tinha vontade de tê-la como parceira e que fosse virgem, imaculada, casta, pra viver com ela para sempre ou o quanto fosse possível.
E também não existiu nenhum cabaré propriamente dito.
Sabe aquela alusão às parceiras em forma de brincadeira grosseira que os homens mesmo sendo sérios, às vezes fazem???
“Minha mulher é minha puta”, PRINCESA DO MEU LUGAR.
Então não fica difícil imaginar aonde seria o cabaré, na minha casa é que não era.
Belchior, MEU CORDIAL BRASILEIRO, você vai fazer muita falta, ou melhor, já o faz.
Seu nome foi sublinhado no PEQUENO MAPA DO TEMPO para chamar a atenção dos que partem e deixam saudade, mas isso não impede às nossas lembranças e a gratidão por tua obra.
Houveram alguns que falaram NÃO LEVE FLORES, porque ele estava BRINCANDO COM A VIDA.
Mas quem é realmente fã não liga pra certos comentários, o importante é o legado que você nos deixa, e também saber que você foi um SUJEITO DE SORTE e viveu como poucos, esta DIVINA COMÉDIA HUMANA”.

 

Crédito de imagens e crônica: Francisco Chagas Rodrigues

 

 

 

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4 comentários em “Belchior – Um ano sem o Grande Rapaz Latino Americano

    1. Belchior viveu uma época em que tudo parecia se encaminhar para o que presenciamos hoje no país, porém, numa escala muito pior.
      Amigo Fernando, obrigado por sua visita e comentário! E também deixo o meu abraço.

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  1. A primeira vez que escutei Belchior foi através da música: “eu sou apenas um rapaz latino americano, sem dinheiro no banco sem parentes importantes e vindo do interior”. 🎶
    Um alma extremamente tocante que sabia bem como nos levar a uma reflexão através suas letras ❤ parabéns pela matéria querido amigo!!

    Curtido por 1 pessoa

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